Um espaço para pôr as ideias em dia e pensar em voz alta sobre as TIC e a Escola
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005
Que competências desenvolver?

Que competências básicas de utilização das TIC deverão possuir os alunos no final do 1.º Ciclo do Ensino Básico?

Tentando responder a esta pergunta, aqui vão as minhas sugestões:

PRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS

  • Escrever um texto (utilizando as principais ferramentas de formatação)
  • Gravar, abrir, modificar um texto
  • Desenhar utilizando um programa de desenho
  • Inserir imagens (produzidas por si, fotos, outros ficheiros)

 COMUNICAÇÃO

  • Enviar e receber e-mails
  • Enviar anexos de imagem e texto
  • Participar em chats ou fóruns

PESQUISA

  • Consultar páginas da Internet
  • Pesquisar na Internet (ou noutras fontes de informação) temas específicos
  • Ler, seleccionar e extrair a informação relevante
  • Inserir a informação pesquisada em contextos de trabalho

APRESENTAÇÃO/COMUNICAÇÃO

  • Preparar apresentações dos trabalhos em suporte papel (cartazes, álbuns, livros...) ou em formato digital (apresentações em Powerpoint, páginas na Internet...)
  • Comunicar informação sob a forma de palavras, imagens, números e sons
  • Comunicar tendo em conta diferente audiências – turma, escola, nível local, nacional ou internacional

UTILIZAÇÃO DE SOFTWARE

  • Utilizar software educativo para exploração de temas ou tópicos curriculares

Qual é a vossa opinião? Esta listagem é realista, está incompleta ou é demasiado ambiciosa?

Existirão outras aprendizagens fundamentais na área das TIC que não estão aqui incluídas?



publicado por mtsilva às 14:35
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Sábado, 3 de Dezembro de 2005
Todos diferentes...

DSC00246.JPG



Um desafio com que a maioria dos professores se depara é o de trabalhar com turmas heterogéneas (vários níveis de escolaridade, crianças com NEE, casos de crianças com problemas emocionais e comportamentais...).

Quando na sala de aula se formam grupos de trabalho, o mais provável é serem constituídos por crianças com níveis diferentes (poderá haver elementos que ainda não dominam a leitura e a escrita ou a matemática e outros que revelem grande facilidade em todas as áreas).

Será que se deve impedir a participação nos projectos das crianças que revelam dificuldades de aprendizagem? Como proceder para que ninguém se auto exclua nem seja excluído?

À partida, poderá considerar-se que nem todos irão contribuir da mesma forma para o trabalho conjunto e que nem todos aprenderão o mesmo. Mas o fundamental é que todos se envolvam e dêem o seu máximo, a partir do nível em que se encontram.

Cabe sem dúvida ao professor o papel de enquadrar as crianças com dificuldades de aprendizagem no grupo e promover a sua integração na turma. Por outro lado, a criação de hábitos de trabalho colaborativo entre os alunos é indispensável.


Será possível transformar a heterogeneidade de uma turma numa vantagem?

Como integrar crianças de diferentes níveis de aprendizagens em trabalhos de grupo?



publicado por mtsilva às 22:32
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005
O prazer de comunicar

As datas marcadas para a apresentação dos projectos eram ansiosamente esperadas.

Minutos antes da apresentação dos projectos (geralmente durante o intervalo), os autores encarregavam-se de preparar a sala. Normalmente, dispunham as mesas em U, iam buscar mais cadeiras ou almofadas para as visitas e, em cima do estrado, colocavam uma mesa e cadeiras para si próprios. Os cartazes eram colados no quadro e os restantes materiais necessários à apresentação eram organizados para que estivessem à mão.

Quando o “público” se sentava era-lhes distribuída uma folha para tirarem apontamentos e todos eram avisados que, no final, iria haver tempo para tirarem dúvidas mas que depois fariam uma ficha de avaliação para verificar se tinham estado com atenção.

O tempo da comunicação era “sagrado”. Tendo por base um guião escrito (e alguns ensaios na escola e em casa), os elementos de cada grupo desempenhavam o papel que lhes cabia e que previamente tinham combinado entre si. Ninguém se recusava a participar. Se alguém se enganava ou tinha mais dificuldade em ler, havia um colega que muito naturalmente dava uma ajuda.

Depois, um elemento do grupo perguntava se alguém queria fazer comentários ou perguntas. Se houvesse perguntas difíceis, os outros (crianças e adultos) podiam ajudar a responder. Por fim, distribuíam as fichas de avaliação aos colegas e os ajudavam a esclarecer dúvidas que surgiam.

No final, depois de terem recebido os parabéns, alguns meninos confessavam-me o seu nervosismo inicial que felizmente tinha dado lugar a uma enorme satisfação por terem conseguido levar a sua tarefa até ao fim.

A rotina de convidar uma turma para ir à nossa sala, por vezes, alterava-se e as apresentações eram feitas noutros espaços da escola.

Esta imagem mostra um momento da comunicação do projecto “O Panda Gigante” realizado por três alunos, que teve lugar na sala do Jardim de Infância.

Esta apresentação rendeu juros elevados à turma. Passados uns dias, os meninos do Jardim de Infância bateram-nos à porta para nos presentearem com um panda gigante (tridimensional e em tamanho natural) que entretanto tinham construído com base nas informações do projecto.



publicado por mtsilva às 23:04
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E depois da pesquisa?

Pesquisar na Internet (ou numa revista, numa enciclopédia, num Cd Rom...) coloca apenas questões técnicas? E depois da pesquisa?

DSC00239.JPG


Penso que a maioria dos alunos aprende com relativa facilidade a dominar técnicas que lhe permite pesquisar na Internet, fazer copy and paste, imprimir e armazenar informações.

A grande dificuldade dos alunos (e não só) surge na compreensão e tratamento da informação que surge no ecrã ou nas páginas impressas. Mesmo quando conseguem entrar num site relacionado com o tema em estudo, frequentemente, deparam-se com barreiras linguísticas (vocabulário específico, figuras de estilo, palavras estrangeiras...) que lhes dificultam a interpretação da mensagem.

Quando lhes damos a indicação de que após seleccionarem e analisarem a informação pertinente devem  produzir um texto sobre o tema, em geral têm muita dificuldade em sintetizar e organizar as ideias. A tendência da maior parte dos alunos é a de começar a copiar o que leu...

Por outro lado, como ter a certeza de que a informação consultada é credível? Devemos acreditar em tudo que lemos e vemos na Internet (ou noutro meio de comunicação)?

Como ajudar os alunos mais novos a desenvolverem competências que lhes permitam aprender a aprender usando as TIC?



publicado por mtsilva às 16:37
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Questões organizativas

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No 2.º ano, o tempo para realização de projectos de estudo foi introduzido no plano semanal da turma. Muitas vezes, os temas surgiam a partir de sugestões dadas pelos alunos, outras vezes, eram escolhidos directamente da lista de conteúdos do programa de Estudo do Meio.

Por exemplo, no 3.º ano, a abordagem dos vários subtemas relacionados com o estudo do “Corpo Humano” foi da responsabilidade de cinco grupos que se formaram para o efeito.

Quando, por alguma razão, o horário semanal sofria alterações, os alunos reclamavam: “Então esta semana não trabalhamos nos projectos?”.

As idas da turma à sala dos computadores passaram a estar muito ligadas à elaboração dos projectos. Dada a localização da sala de computadores (contígua à sala de aula), frequentemente havia grupos a trabalhar na sala de aula enquanto outros estavam a trabalhar na sala dos computadores. Passou também a ser habitual haver grupos a iniciar um projecto, enquanto outros estavam na fase do seu desenvolvimento e outros a preparar a sua comunicação à turma.

Foram criadas rotinas de trabalho e, de um modo geral, todos os grupos passavam pelas seguintes etapas:

 • Escolha do tema;

• Preenchimento de uma ficha que incluía o levantamento de questões sobre o tema (o que queremos saber?);

• Pesquisa (orientada pelas questões colocadas anteriormente) recorrendo a livros, revistas, enciclopédias e Internet;

• Produção de textos no Word e compilação de imagens (produzidas no Paint, retiradas da Net, recortadas de revistas...);

• Elaboração de um cartaz, livro ou folheto de suporte à apresentação;

• Construção de uma ficha de avaliação para os colegas contendo questões e actividades relacionadas com os conteúdos da apresentação;

• Preparação da apresentação à turma (distribuição de papéis dentro do grupo, ensaios de leitura, convites, arrumação da sala...);

• Comunicação do projecto;

• Apreciação do trabalho pela turma (comentários, opiniões e pedidos de esclarecimento);

• Avaliação das aprendizagens (através da ficha construída para o efeito);

• Exposição/divulgação do trabalho em geral, afixado num placard da sala ou do corredor ou publicado no jornal de turma.



publicado por mtsilva às 16:25
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Os primeiros projectos de estudo

Foi quase no final do 1.º ano que pensei introduzir o trabalho de projecto na turma, a propósito de uma ida ao Jardim Zoológico.

Antes da visita, os alunos formaram grupos de três elementos e cada grupo escolheu um animal para estudar. Em conjunto, pensámos nos aspectos que cada grupo deveria observar em relação ao seu animal e eu elaborei uma ficha muito simples para registo dessas observações. Cada aluno construiu uma bolsinha de cartolina e atou-lhe um fio de lã para a pendurar ao pescoço. Lá dentro guardou uma fotocópia da ficha e um pequeno lápis para fazer os registos necessários no Zoo.

tart.JPG


Durante a visita, cada grupo observou, desenhou e fotografou o animal escolhido, tentou ler as informações escritas na tabuleta e preencheu a ficha de registo.

No dia seguinte, de volta à sala de aula, conversámos sobre a visita e combinámos que cada grupo iria construir um cartaz. Pedi para desenharem o seu animal e escreverem um texto sobre ele. Os vários textos foram sendo trabalhados e melhorados durante a semana.

Quando fomos à sala de informática, todos os grupos visitaram o site do Zoo e tentaram pesquisar e imprimir mais informações sobre cada animal. Com a minha ajuda, leram os textos impressos e sublinharam as informações importantes. Os passos seguintes foram acrescentar mais algumas informações aos textos, escrevê-los no computador e tentar desenhar os bichos no Paint. O material para fazer os cartazes ia sendo construído...

Entretanto, eu pedi a uma ex-aluna minha que viesse à nossa sala falar sobre o processo de construção dos projectos de estudo e apresentar alguns trabalhos feitos por si e pelos colegas em anos anteriores. A propósito de alguns cartazes que foram mostrados, chamei a atenção para os vários elementos comuns que os compunham: título grande, textos, fotos, desenho, nome dos elementos do grupo, indicação da bibliografia...

Nos dias seguintes, os vários grupos começaram a fazer os seus cartazes e à medida que foram ficando prontos, marcámos datas para a apresentação dos trabalhos.

Os dias da comunicação dos projectos passaram a ser dias muito especiais e, desde o início, houve a ideia de convidar outras turmas para assistir. Alguns meninos fizeram questão em convidar também os pais ou funcionários da escola.

No final da comunicação, a audiência tinha que responder a um pequeno questionário sobre o tema apresentado (inicialmente questões muito simples de escolha múltipla) e fazer um desenho. Aos meninos da turma convidada fazíamos uma pedido (descarado) que  consistia  em, de volta à sua sala, construírem colectivamente o animal apresentado para nos oferecer. E a nossa sala foi-se transformando num Jardim Zoológico,,,

Tentando reflectir sobre todo este processo (que tentei reconstruir de memória passados quase quatro anos), lembro-me que não foi fácil. 

A gestão de vários grupos de trabalho a funcionar em simultâneo é sempre complicada e cansativa. Além de os alunos ainda terem um domínio incipiente da leitura e da escrita, na turma existiam casos de crianças com dificuldades de aprendizagens e/ou problemas de comportamento que por vezes causavam perturbação no grupo e que era necessário acalmar e reintegrar.

Este tipo de trabalho implica também preparar e organizar previamente espaços e materiais e aproveitar muitos bocadinhos para trabalhar com os alunos individualmente ou em grupo (inclusive fora do horário lectivo).



publicado por mtsilva às 11:51
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