Um espaço para pôr as ideias em dia e pensar em voz alta sobre as TIC e a Escola
Sexta-feira, 26 de Maio de 2006
A culpa, desta vez, foi dos bichos-da-seda

bichos

 

Este ano lectivo, estou a trabalhar na equipa do CC CRIE da FCUL e por isso, a minha actividade profissional diária inclui o relacionamento com professores, algumas vezes de forma presencial mas, a maioria das vezes, por e-mail ou através de uma plataforma (Moodle) que adoptámos na equipa.

 

Há umas semanas, uma turma de alunos começou a “introduzir-se” na plataforma que até aí só tinha sido utilizada entre professores. Tudo começou quando a professora da turma deu a seguinte notícia:

 

"... esta semana quatro alunas decidiram elaborar um projecto sobre experiências. A ideia é prepararem os materiais e as instruções para, no dia da apresentação, os colegas realizarem as experiências escolhidas (manuais escolares e as disponibilizadas on-line). Também estamos a criar bichos da seda."

 

Uma de nós escreveu uma mensagem dirigindo-se directamente aos alunos:

 

"Olá a todos (meninos e meninas da turma), adoro bichos-da-seda desde pequenina. Actualmente, não faço criação desses simpáticos bichinhos por me ser muito difícil arranjar folhas de amoreira. Como resolvem esse problema?"

 

Esta “inocente” pergunta foi o rastilho para uma conversa na qual têm participado miúdos e graúdos e que ainda não terminou (as mariposas estão agora na fase da postura).

 

Na sequência dos contactos estabelecidos na plataforma (em que os alunos passaram a entrar utilizando o login da professora) surgiu a ideia de irmos à escola conhecer os meninos e respectivos bichos-da-seda.

 

Só que na sala de aula a conversa não se limitou aos bichos-da-seda, por sinal bem gordinhos. Começaram a chover perguntas, respostas e ideias sobre outros assuntos…

 

- Ah! És assim?… Não pareces a pessoa da fotografia. Imaginávamos-te diferente…

- Olá! Então quem são as meninas das experiências?

- Sabes? Nós estamos a fazer um projecto sobre graffitis.

- Que giro, tenho uma fotografias que vos posso enviar.

- Como é eu posso trabalhar (na plataforma) quando vou a casa do meu avô que tem computador com Internet?

- Nós estamos a fazer um projecto sobre tubarões!

- Conheço uns sites interessantes. Se quiserem envio-vos.

- E a nós podem ajudar-nos a encontrar informações sobre dragões? Andamos à procura de fotografias de ovos de dragão e não encontramos…

- Podemos tentar…

 

No intervalo, em conversa com a professora interrogávamo-nos:

 

- O que vamos fazer?

- Vamos criar uma área de trabalho para os alunos na plataforma? (Já andávamos a sentir que na plataforma as coisas andavam um bocado confusas com alunos e professores misturados a falar de assuntos de natureza diferente).

- Como é que vamos inscrever os moços? Vamos criar uma conta individual para cada um?

- Se calhar para começarmos e vermos o que isto dá, podemos criar uma conta colectiva para a turma…

 

E foi assim que teve origem o Espaço dos Alunos na plataforma. Entretanto, duas professoras de outra escola também quiseram experimentar com as suas turmas e o espaço está a tomar novas proporções.

 

O que vai acontecer a seguir? Não sabemos! Tudo está em aberto. Depende da forma como professores e os alunos se apropriarem deste espaço.

Que é um grande desafio, lá isso é…

 

 

NOTA: Se quiser conhecer os espaços virtuais aqui referidos, inscreva-se na plataforma do CC CRIE FCUL ou entre como visitante.

 

 

 



publicado por mtsilva às 23:50
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2006
Uma Escola com vista para o Mundo

Foi com prazer que, alguns dias antes do Carnaval, participei numa breve visita (com outras colegas), a uma sala de aula do 3.º ano de uma pequena escola situada no Concelho da Lourinhã.

 

Quando chegámos, ao início da tarde, ouvia-se música de fundo e os alunos realizavam várias tarefas: uns liam, outros escreviam, dois alunos trabalhavam com as mães que os ajudavam a coser os fatos de Espantalho para o Carnaval, uma aluna terminava um desenho no computador para enviar para o concurso dos Artistas Digitais e os outros nem sei bem o que faziam… Só sei que naquela sala de aula se respirava tranquilidade e trabalho, muito trabalho (os placards das paredes indiciavam alguns dos projectos da turma).

 

Esta sala de aula, tem computador com ligação à Internet que se encontra dentro de um armário encostado a uma parede. Não houve tempo para estar com grandes conversas, mas deu para perceber que os alunos lhe davam bastante uso.

 

Passados uns dias, voltei a encontrar esta turma, desta vez na Internet e, desde aí, todos os dias sei notícias…

 

 

Mas o que se passou?

 

Entretanto, a professora da turma frequentou uma acção de formação e aprendeu a construir blogues. Passada uma semana, decidiu criar um blogue com a sua turma.

 

Esse blogue chama-se Ventos-a-Mudar e o endereço electrónico é

 

http://www.ventosamudar.blogspot.com/

 

Trata-se de um blogue em que o primeiro artigo foi escrito pela professora, mas que rapidamente passou a ser actualizado pelos alunos (percebe-se que todos os dias há um responsável por essa tarefa),

Muito interessante é também a interacção estabelecida com os comentadores.

 

Espreitem e participem nesta pequena/grande comunidade.

 

Bons ventos!



publicado por mtsilva às 10:45
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Terça-feira, 4 de Abril de 2006
Mas o que fazer só com um computador na sala de aula?

 

Às vezes, ouve-se perguntar: "Mas o que se faz numa sala de aula com vinte e tal alunos só com um computador?". A resposta é: "Muita coisa".

Penso que os problemas que se podem colocar ao professor têm essencialmente a ver com formas de gestão e de organização do trabalho na turma.

QUEM UTILIZA?

Conversar com os alunos e combinar uma escala de utilização do computador (de preferência aos pares) pode ser o primeiro passo.

Mas também pode não existir uma ordem de utilização pré-estabelecida (utiliza quem quer, se o computador estiver disponível) e haver um registo da frequência dessa utilização numa folha pendurada no placard (no caso de, num determinado momento, haver vários candidatos para trabalhar no computador, a consulta da folha de registo pode ajudar a resolver a questão).

QUANDO?

Em que momentos da aula se pode utilizar o computador? O computador é logo ligado no início da aula? Por quem? Há um responsável por esta tarefa? Está sempre disponível, mesmo durante os momentos de trabalho colectivo da turma? Só pode ser utilizado durante os momentos de trabalho individual?

A clarificação destas e de outras questões poderá ajudar a criar na sala de aula rotinas de trabalho facilitadoras da integração do computador no trabalho diário.

PARA FAZER O QUÊ?

Na minha perspectiva, a utilização do computador na sala de aula faz sentido para apoiar a realização do trabalho nas várias áreas curriculares, tanto ao nível de projectos individuais como colectivos.

Escrever uma história, um relato de uma visita de estudo ou de uma experiência, uma carta ou e-mail, uma notícia para o jornal ou blogue da turma, realizar pesquisas na Internet (se existir ligação na sala de aula), preparar a apresentação de um projecto de estudo, explorar software educativo sobre um determinado tópico, construir tabelas e gráficos, desenhar, inserir e modificar imagens em documentos de trabalho... são exemplos das múltiplas actividades que podem ser realizadas pelos alunos utilizando um computador na sala de aula.

Penso que o fundamental é fazer com que as actividades realizadas com o computador tenham significado para a vida da turma enquanto espaço de aprendizagem, de produção e de partilha de conhecimentos.



publicado por mtsilva às 17:23
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005
Que competências desenvolver?

Que competências básicas de utilização das TIC deverão possuir os alunos no final do 1.º Ciclo do Ensino Básico?

Tentando responder a esta pergunta, aqui vão as minhas sugestões:

PRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS

  • Escrever um texto (utilizando as principais ferramentas de formatação)
  • Gravar, abrir, modificar um texto
  • Desenhar utilizando um programa de desenho
  • Inserir imagens (produzidas por si, fotos, outros ficheiros)

 COMUNICAÇÃO

  • Enviar e receber e-mails
  • Enviar anexos de imagem e texto
  • Participar em chats ou fóruns

PESQUISA

  • Consultar páginas da Internet
  • Pesquisar na Internet (ou noutras fontes de informação) temas específicos
  • Ler, seleccionar e extrair a informação relevante
  • Inserir a informação pesquisada em contextos de trabalho

APRESENTAÇÃO/COMUNICAÇÃO

  • Preparar apresentações dos trabalhos em suporte papel (cartazes, álbuns, livros...) ou em formato digital (apresentações em Powerpoint, páginas na Internet...)
  • Comunicar informação sob a forma de palavras, imagens, números e sons
  • Comunicar tendo em conta diferente audiências – turma, escola, nível local, nacional ou internacional

UTILIZAÇÃO DE SOFTWARE

  • Utilizar software educativo para exploração de temas ou tópicos curriculares

Qual é a vossa opinião? Esta listagem é realista, está incompleta ou é demasiado ambiciosa?

Existirão outras aprendizagens fundamentais na área das TIC que não estão aqui incluídas?



publicado por mtsilva às 14:35
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Sábado, 3 de Dezembro de 2005
Todos diferentes...

DSC00246.JPG



Um desafio com que a maioria dos professores se depara é o de trabalhar com turmas heterogéneas (vários níveis de escolaridade, crianças com NEE, casos de crianças com problemas emocionais e comportamentais...).

Quando na sala de aula se formam grupos de trabalho, o mais provável é serem constituídos por crianças com níveis diferentes (poderá haver elementos que ainda não dominam a leitura e a escrita ou a matemática e outros que revelem grande facilidade em todas as áreas).

Será que se deve impedir a participação nos projectos das crianças que revelam dificuldades de aprendizagem? Como proceder para que ninguém se auto exclua nem seja excluído?

À partida, poderá considerar-se que nem todos irão contribuir da mesma forma para o trabalho conjunto e que nem todos aprenderão o mesmo. Mas o fundamental é que todos se envolvam e dêem o seu máximo, a partir do nível em que se encontram.

Cabe sem dúvida ao professor o papel de enquadrar as crianças com dificuldades de aprendizagem no grupo e promover a sua integração na turma. Por outro lado, a criação de hábitos de trabalho colaborativo entre os alunos é indispensável.


Será possível transformar a heterogeneidade de uma turma numa vantagem?

Como integrar crianças de diferentes níveis de aprendizagens em trabalhos de grupo?



publicado por mtsilva às 22:32
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005
O prazer de comunicar

As datas marcadas para a apresentação dos projectos eram ansiosamente esperadas.

Minutos antes da apresentação dos projectos (geralmente durante o intervalo), os autores encarregavam-se de preparar a sala. Normalmente, dispunham as mesas em U, iam buscar mais cadeiras ou almofadas para as visitas e, em cima do estrado, colocavam uma mesa e cadeiras para si próprios. Os cartazes eram colados no quadro e os restantes materiais necessários à apresentação eram organizados para que estivessem à mão.

Quando o “público” se sentava era-lhes distribuída uma folha para tirarem apontamentos e todos eram avisados que, no final, iria haver tempo para tirarem dúvidas mas que depois fariam uma ficha de avaliação para verificar se tinham estado com atenção.

O tempo da comunicação era “sagrado”. Tendo por base um guião escrito (e alguns ensaios na escola e em casa), os elementos de cada grupo desempenhavam o papel que lhes cabia e que previamente tinham combinado entre si. Ninguém se recusava a participar. Se alguém se enganava ou tinha mais dificuldade em ler, havia um colega que muito naturalmente dava uma ajuda.

Depois, um elemento do grupo perguntava se alguém queria fazer comentários ou perguntas. Se houvesse perguntas difíceis, os outros (crianças e adultos) podiam ajudar a responder. Por fim, distribuíam as fichas de avaliação aos colegas e os ajudavam a esclarecer dúvidas que surgiam.

No final, depois de terem recebido os parabéns, alguns meninos confessavam-me o seu nervosismo inicial que felizmente tinha dado lugar a uma enorme satisfação por terem conseguido levar a sua tarefa até ao fim.

A rotina de convidar uma turma para ir à nossa sala, por vezes, alterava-se e as apresentações eram feitas noutros espaços da escola.

Esta imagem mostra um momento da comunicação do projecto “O Panda Gigante” realizado por três alunos, que teve lugar na sala do Jardim de Infância.

Esta apresentação rendeu juros elevados à turma. Passados uns dias, os meninos do Jardim de Infância bateram-nos à porta para nos presentearem com um panda gigante (tridimensional e em tamanho natural) que entretanto tinham construído com base nas informações do projecto.



publicado por mtsilva às 23:04
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E depois da pesquisa?

Pesquisar na Internet (ou numa revista, numa enciclopédia, num Cd Rom...) coloca apenas questões técnicas? E depois da pesquisa?

DSC00239.JPG


Penso que a maioria dos alunos aprende com relativa facilidade a dominar técnicas que lhe permite pesquisar na Internet, fazer copy and paste, imprimir e armazenar informações.

A grande dificuldade dos alunos (e não só) surge na compreensão e tratamento da informação que surge no ecrã ou nas páginas impressas. Mesmo quando conseguem entrar num site relacionado com o tema em estudo, frequentemente, deparam-se com barreiras linguísticas (vocabulário específico, figuras de estilo, palavras estrangeiras...) que lhes dificultam a interpretação da mensagem.

Quando lhes damos a indicação de que após seleccionarem e analisarem a informação pertinente devem  produzir um texto sobre o tema, em geral têm muita dificuldade em sintetizar e organizar as ideias. A tendência da maior parte dos alunos é a de começar a copiar o que leu...

Por outro lado, como ter a certeza de que a informação consultada é credível? Devemos acreditar em tudo que lemos e vemos na Internet (ou noutro meio de comunicação)?

Como ajudar os alunos mais novos a desenvolverem competências que lhes permitam aprender a aprender usando as TIC?



publicado por mtsilva às 16:37
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Questões organizativas

DSC00248.JPG


No 2.º ano, o tempo para realização de projectos de estudo foi introduzido no plano semanal da turma. Muitas vezes, os temas surgiam a partir de sugestões dadas pelos alunos, outras vezes, eram escolhidos directamente da lista de conteúdos do programa de Estudo do Meio.

Por exemplo, no 3.º ano, a abordagem dos vários subtemas relacionados com o estudo do “Corpo Humano” foi da responsabilidade de cinco grupos que se formaram para o efeito.

Quando, por alguma razão, o horário semanal sofria alterações, os alunos reclamavam: “Então esta semana não trabalhamos nos projectos?”.

As idas da turma à sala dos computadores passaram a estar muito ligadas à elaboração dos projectos. Dada a localização da sala de computadores (contígua à sala de aula), frequentemente havia grupos a trabalhar na sala de aula enquanto outros estavam a trabalhar na sala dos computadores. Passou também a ser habitual haver grupos a iniciar um projecto, enquanto outros estavam na fase do seu desenvolvimento e outros a preparar a sua comunicação à turma.

Foram criadas rotinas de trabalho e, de um modo geral, todos os grupos passavam pelas seguintes etapas:

 • Escolha do tema;

• Preenchimento de uma ficha que incluía o levantamento de questões sobre o tema (o que queremos saber?);

• Pesquisa (orientada pelas questões colocadas anteriormente) recorrendo a livros, revistas, enciclopédias e Internet;

• Produção de textos no Word e compilação de imagens (produzidas no Paint, retiradas da Net, recortadas de revistas...);

• Elaboração de um cartaz, livro ou folheto de suporte à apresentação;

• Construção de uma ficha de avaliação para os colegas contendo questões e actividades relacionadas com os conteúdos da apresentação;

• Preparação da apresentação à turma (distribuição de papéis dentro do grupo, ensaios de leitura, convites, arrumação da sala...);

• Comunicação do projecto;

• Apreciação do trabalho pela turma (comentários, opiniões e pedidos de esclarecimento);

• Avaliação das aprendizagens (através da ficha construída para o efeito);

• Exposição/divulgação do trabalho em geral, afixado num placard da sala ou do corredor ou publicado no jornal de turma.



publicado por mtsilva às 16:25
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Os primeiros projectos de estudo

Foi quase no final do 1.º ano que pensei introduzir o trabalho de projecto na turma, a propósito de uma ida ao Jardim Zoológico.

Antes da visita, os alunos formaram grupos de três elementos e cada grupo escolheu um animal para estudar. Em conjunto, pensámos nos aspectos que cada grupo deveria observar em relação ao seu animal e eu elaborei uma ficha muito simples para registo dessas observações. Cada aluno construiu uma bolsinha de cartolina e atou-lhe um fio de lã para a pendurar ao pescoço. Lá dentro guardou uma fotocópia da ficha e um pequeno lápis para fazer os registos necessários no Zoo.

tart.JPG


Durante a visita, cada grupo observou, desenhou e fotografou o animal escolhido, tentou ler as informações escritas na tabuleta e preencheu a ficha de registo.

No dia seguinte, de volta à sala de aula, conversámos sobre a visita e combinámos que cada grupo iria construir um cartaz. Pedi para desenharem o seu animal e escreverem um texto sobre ele. Os vários textos foram sendo trabalhados e melhorados durante a semana.

Quando fomos à sala de informática, todos os grupos visitaram o site do Zoo e tentaram pesquisar e imprimir mais informações sobre cada animal. Com a minha ajuda, leram os textos impressos e sublinharam as informações importantes. Os passos seguintes foram acrescentar mais algumas informações aos textos, escrevê-los no computador e tentar desenhar os bichos no Paint. O material para fazer os cartazes ia sendo construído...

Entretanto, eu pedi a uma ex-aluna minha que viesse à nossa sala falar sobre o processo de construção dos projectos de estudo e apresentar alguns trabalhos feitos por si e pelos colegas em anos anteriores. A propósito de alguns cartazes que foram mostrados, chamei a atenção para os vários elementos comuns que os compunham: título grande, textos, fotos, desenho, nome dos elementos do grupo, indicação da bibliografia...

Nos dias seguintes, os vários grupos começaram a fazer os seus cartazes e à medida que foram ficando prontos, marcámos datas para a apresentação dos trabalhos.

Os dias da comunicação dos projectos passaram a ser dias muito especiais e, desde o início, houve a ideia de convidar outras turmas para assistir. Alguns meninos fizeram questão em convidar também os pais ou funcionários da escola.

No final da comunicação, a audiência tinha que responder a um pequeno questionário sobre o tema apresentado (inicialmente questões muito simples de escolha múltipla) e fazer um desenho. Aos meninos da turma convidada fazíamos uma pedido (descarado) que  consistia  em, de volta à sua sala, construírem colectivamente o animal apresentado para nos oferecer. E a nossa sala foi-se transformando num Jardim Zoológico,,,

Tentando reflectir sobre todo este processo (que tentei reconstruir de memória passados quase quatro anos), lembro-me que não foi fácil. 

A gestão de vários grupos de trabalho a funcionar em simultâneo é sempre complicada e cansativa. Além de os alunos ainda terem um domínio incipiente da leitura e da escrita, na turma existiam casos de crianças com dificuldades de aprendizagens e/ou problemas de comportamento que por vezes causavam perturbação no grupo e que era necessário acalmar e reintegrar.

Este tipo de trabalho implica também preparar e organizar previamente espaços e materiais e aproveitar muitos bocadinhos para trabalhar com os alunos individualmente ou em grupo (inclusive fora do horário lectivo).



publicado por mtsilva às 11:51
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2005
Aprender a trabalhar com o computador, trabalhando
Não querendo perder tempo com descrições, pretendo recordar o modo como os meus alunos, no 1.º ano, se foram apropriando da utilização dos computadores. Logo no primeiro dia de aulas, no âmbito das actividades de recepção do 1.º ano (em que, como manda a tradição na minha escola, os novos alunos e respectivos encarregados de educação participam em vários ateliês) passaram pela sala de informática. Quando entraram, os computadores estavam ligados e foram convidados a usá-los para jogar, desenhar, entrar na Internet... Quem sabia ensinava a quem não sabia e se fosse necessário pedia ajuda ao professor responsável pelo ateliê.


Passados uns tempos, habituaram-se a ir regularmente à sala dos computadores (uma ou duas vezes por semana). Aí começaram a desenvolver actividades sugeridas por mim (copiar um pequeno texto trabalhado na aula, escrever frases ou listas de palavras, ilustrar uma história, utilizar software educativo ou a Internet para fazer um jogo...) e, de uma forma gradual, foram contactando com as diferentes ferramentas informáticas.


Inicialmente, eu tinha a preocupação de preparar a sala de informática para que, quando eles chegassem, os computadores já estivessem ligados e o programa a utilizar já aparecesse no ecrã. Do mesmo modo, no final, era eu que realizava as operações de gravar os ficheiros e encerrar os computadores. Aos poucos fui-lhes passando essas tarefas.


Em algumas ocasiões em que pretendia mostrar a todos o trabalho feito por um grupo de alunos ou chamar a atenção para determinado aspecto técnico relacionado com o funcionamento de um programa, pedia aos alunos para se juntarem à volta de um computador e ficávamos a conversar acerca desse assunto.


sala_computador_alunos.JPG



Isto tudo para dizer que acho que os alunos não precisam de pré-requisitos para começar a trabalhar com os computadores. Penso que os alunos devem aprender a usar os computadores e a dominar progressivamente os aspectos técnicos que vão surgindo, à medida que vão desenvolvendo tarefas com sentido para si próprios e para o grupo. É claro que o trabalho a pares tem aqui um papel fundamental pois promove a troca de conhecimentos e destrezas que fazem com que os alunos se vão tornando cada vez mais autónomos em relação ao professor.

No entanto, é preciso notar que trabalhar numa sala com vinte e tal meninos e dez computadores nem sempre corre às mil maravilhas. Ou há computadores que não arrancam, ou a impressora não imprime, ou um rato deixa de funcionar, ou um menino está sistematicamente a fazer disparates, ou estão vários grupos a pedir ajuda ao mesmo tempo, ou a professora naquele dia está com menos paciência, ou…


Sugestões para dois dedos de conversa:


• Como costumam fazer as primeiras abordagens de utilização dos computadores com os alunos mais novos?


• Será que o professor precisa de possuir pré-requisitos para ser capaz de pôr a sua turma a trabalhar com os computadores?



publicado por mtsilva às 15:52
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Sábado, 5 de Novembro de 2005
A culpa foi da tartaruga...

muitas_tartarugas-2.JPG



Tudo começou há muitos, muitos anos (mas mesmo muitos), quando eu pela primeira vez me sentei em frente de um computador, no decorrer de uma das primeiras acções de formação para professores do Projecto MINERVA.


Nunca antes tinha estado perto de tal máquina, nem sequer pensado que alguma vez isso me pudesse vir a acontecer, mas acho que, desde esse momento, fiquei irremediavelmente fascinada...


Naquela altura, foi uma tartaruguinha branca que era preciso comandar sobre um fundo negro (isto é uma referência à Linguagem Logo) que me começou a dar voltas à cabeça e a imiscuir-se na minha vida (e nos meus sonhos).


Passados uns anos, e depois de ter estado envolvida na formação de professores na área das TIC como professora destacada, voltei à escola. Era chegado o momento de tentar pôr em prática aquilo que tinha andado a apregoar mas que, no fundo, só conhecia na teoria.


Naquela altura, os computadores nas escolas rareavam e o primeiro desafio que se deparou a mim e aos meus colegas foi arranjá-los (e só esse processo dá um romance). E conseguimos arranjar computadores... O segundo desafio foi preparar todos os professores da escola para trabalhar com todos os alunos (esse é outro romance). E conseguimos...


Os anos foram-se passando, continuei nessa escola e, entretanto, consegui uma proeza profissional: pela primeira vez (em mais de 20 anos) tive a hipótese de acompanhar a mesma turma de alunos ao longo dos quatro anos de escolaridade.


No próximo artigo deste blog, irei relatar como foram os primeiros contactos destes alunos com as TIC. E a este propósito, satisfaçam a minha curiosidade:


• Lembram-se da 1.ª vez que usaram o computador?



publicado por mtsilva às 11:16
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005
Alunos, Computadores e Aprendizagens

Utilizar as TIC no trabalho diário com uma turma de alunos, apesar de ser uma tarefa aliciante, nem sempre é fácil (pelos menos para mim).


- Como gerir a utilização de um computador na sala de aula (no caso de haver só um)?


- Como dar resposta a vários grupos de alunos em simultâneo (no caso de nos encontrarmos numa sala de informática com 12 computadores)?


- Como orientar os alunos nas actividades de pesquisa, tratamento e apresentação da informação recolhida?


 - Como orientar a turma (normalmente bastante heterogénea) para a realização de projectos colaborativos (área de projecto) desde o 1.º ano de escolaridade?


- Que competências no domínio das TIC devem adquirir os alunos no 1.º ciclo?


- De que modo o professor pode ajudar os alunos a adquirirem essas competências?


É claro que (felizmente) estou muito longe de encontrar respostas definitivas para estas questões. No entanto, possuo alguma prática neste domínio, resultante do trabalho realizado, nos últimos anos, com meninos e computadores.


Aquilo que me proponho fazer é usar este blog para partilhar, algumas reflexões sobre estas temáticas relacionando-as com o trabalho desenvolvido com uma turma de alunos que acompanhei do 1.º ao 4.º ano.


MTS



publicado por mtsilva às 10:13
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